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Almanaque No 17

É com prazer que lhes apresento o número 17 do Almanaque on-line. Neste número, damos prosseguimento às investigações iniciadas no Almanaque 16, em torno do tema da juventude. Ao percorrê-lo, vocês notarão o impacto que o texto “Em direção à adolescência”, de Jaques-Alain Miller, provocou em nossa comunidade analítica e a forma como ele mobilizou o desejo de elaboração e de transmissão sobre o tema.

Leia o Editorial…

Almanaque No 17

Editorial

Ludmilla Feres Faria

Editorial É com prazer que lhes apresento o número 17 do Almanaque on-line. Neste número, damos prosseguimento às investigações iniciadas no Almanaque 16, em torno do tema da juventude. Ao percorrê-lo, vocês notarão o impacto que o texto “Em direção

Juventude à deriva <> Radicalização

Francesca Biagi-Chai

O que pode a psicanálise diante da radicalização de uma juventude largada? Ir de encontro ao grande abandono, corolário do discurso do mestre de hoje, responde a autora do artigo. Ela afirma que o laço transferencial é a oferta que cabe ao analista e que isso é o que pode produzir um lugar onde o sujeito possa se enganchar.
Palavras-chave: JUVENTUDE, SINTOMA, CORPO, GOZO, LAÇO SOCIAL, RELIGIÃO

Amores líquidos, amores nômades: sobre as formais atuais da depreciação da vida amorosa

Ana Lydia Santiago e Jésus Santiago

Resumo: Os novos modos de vida amorosa dos jovens na contemporaneidade são explorados, neste trabalho, a partir da figura do “nômade”. A categoria lacaniana da “não-relação” serve de guia para o enfoque do fenômeno do nomadismo no amor, tomado como uma nova expressão da dissimetria na vida amorosa dos jovens, que destaca o fato clinico de que se a mulher equivale a um sintoma para o homem, o homem equivale a um fator de devastação para a mulher.

Puberdade, adolescência e estrutura

Damasia Amadeo de Freda
ÉDER OLIVEIRA: SÉRIE SEM TÍTULO 2005

a autora retoma as orientações de Freud na clínica com púberes e adolescentes e apresenta as novas manifestações que desconcertam o psicanalista. O Nome do Pai como articulador central da estrutura perde seus privilégios na atualidade. A ideia freudiana de puberdade e adolescência não dá os elementos suficientes para uma orientação na clínica atual. Considera que o último ensino de Lacan pôde contribuir para uma melhor leitura da subjetividade atual. Sobretudo, vemos que se trata de uma subjetividade que já não parece responder aos parâmetros estruturalistas e deterministas pelos quais nos regíamos e, nesse sentido, vemos o apagamento das estruturas clínicas.

Almanaque on-line entrevista

Maria Isabel M. de Almeida
Giulia Puntel

Habitar o trajeto: o paradoxo do nomadismo Almanaque: Poderia nos falar um pouco sobre os seus últimos trabalhos? Maria Isabel: Concluímos uma pesquisa com jovens que se chama “Paisagens existenciais e alquimias pragmáticas: uma reflexão comparativa do recurso às drogas

Um saldo de saber: do jogo aberto nas redes sociais à declaração de amor

Ludmilla Féres Faria (Relatora)

A partir da Conversação com jovens secundarista de uma escola particular de Belo Horizonte sobre o uso das redes digitais e, em especial, procurou-se delimitar os impasses e as soluções que esses jovens tem encontrado na utilização desses aparelhos, em especial, para abordar o outro sexo. O tema da pornografia foi o ponto mais abordado pelos jovens, como forma encontrada para responder “a relação sexual que não existe”.

Almanaque on-line entrevista

Phillipe Lacadée

Ana Lydia Santiago: Jacques-Alain Miller, em seu texto “Em direção à adolescência”, apresenta a sua análise da demanda incondicional de respeito dos adolescentes: “Eu quero ser respeitado”. Segundo sua tese, o que especifica essa demanda é o fato de não

Comentário

Simone Souto

Localizo três aspectos que me pareceram importantes no relatório apresentado por Ludmilla Feres, por ocasião do VII ENAPOL, e que hoje, nesta Conversação do IPSM-MG, temos a oportunidade, mais uma vez, de discutir.   1) O texto parte da hipótese

Drogas e imagens: novas adições

Lilany Pacheco (Relatora)

Propomos, neste relatório, conversação sobre uma possível distinção entre o fenômeno das adições e a toxicomania e sua dimensão clínica, tal qual a conhecemos no campo freudiano. Já na edição 88 da publicação “La Cause du Desir” (ÉCOLE DE LA CAUSE FREUDIENNE, 2015), colegas franceses definem as adições como um campo político que deve ser estudado para colocar à prova, para além das drogas ilegais e à luz da orientação lacaniana, a generalização do termo adição, o enxame de objetos e as práticas concernentes a esse campo.

Comentário

Fernanda Otoni B-Brisset

O relatório de Lilany traz orientações preciosas que articulam a clínica da toxicomania hoje e o que ela distingue como o campo político das adições. A distinção entre toxicomania e adição é um trabalho de investigação que a rede TyA

O que fazer com seu corpo?

Sérgio de Mattos (Relator)

O corpo não esta pronto para o ser falante. Ele precisa ser fabricado e apropriado para ser corpo próprio. Este texto investiga essas construções ao longo da história, em sociedades tradicionais ameríndias, construção por particularização através de uma materialidade que se encarna, pedaços de outros animais, alimentos, pinturas, hábitos. No oriente pelo Zen budismo onde um corpo se faz em referencia a um vazio e sensualidades. Na atualidade tomando como exemplo os Body Moods, quando se verifica um corpo feito por pedaços sem um Outro que lhe dê um modelo estável. E na psicanalise, onde o corpo que se goza a si mesmo seria feito de acontecimentos de corpo, verificáveis nos procedimentos de passe.

Comentário

Cristiane de Freitas Cunha

O relato de Sérgio de Mattos nos instiga a percorrer suas referências. Com Viveiros de Castro, aprendemos a perspectiva ameríndia de construção do corpo, no processo de reclusão, exibição e metamorfose. Na cultura yawalapíti, o social constitui o corpo, não

A química da libido

Samyra Assad

O texto freudiano relativo às “transformações da puberdade” é trazido partindo da “química especial”, inerente à função sexual, até chegarmos à substância gozante, em Lacan. Nessa trajetória, um paralelo é feito entre as transformações da puberdade nos séculos XX e XXI, respectivamente abordando a era do Édipo (simbólico) e do mais-além do Édipo (real) para investigar os efeitos da libido no adolescente freudiano e lacaniano. Interroga-se, enfim, o estatuto da causalidade psíquica nos tempos atuais, relativos à queda do Pai. Ou seja, trata-se dos efeitos da libido numa época em que a ascensão do gozo permite propor não somente novos modelos de identificação, como também trazer uma hipótese específica quanto à causalidade que não se assenta mais sobre um traço, mas sobre a sua pluralização.

Filiação: demissão da autoridade, desamparo do adolescente

Mõnica Campos Silva

Resumo: No presente artigo, buscamos tratar as consequências subjetivas da retirada jurídica da função parental. As ressonâncias da demissão da autoridade paterna para o filho, principalmente quando este vive a adolescência, podem fazer surgir, diante do real, a condição de desamparo e o pior como solução.
Palavras-chave: ADOLESCÊNCIA, PATERNIDADE, DIREITO, PSICANÁLISE, DESAMPARO.

O real da puberdade e a saída da infância

Margaret Pires do Couto

O real da puberdade testemunha a irrupção de um gozo diante do qual as palavras falham. O encontro com esse real pode produzir consequências perturbadoras para a relação do sujeito com seu corpo, com a imagem e com a língua, que, até então, lhe serviam de sustentação. Essa passagem da infância à adolescência desaloja o sujeito de sua língua e de seu corpo infantil conduzindo-o tanto ao despertar quanto ao exílio. Será necessário, então, que ele encontre novos arranjos pulsionais e novos modos de inscrição no mundo e no Outro.

Adolescência, o que é?

Roberto Assis Ferreira

Resumo: O texto é a transcrição do seminário de abertura do Núcleo de Investigação em Psicanálise e Medicina, no 1º semestre de 2016. Adolescência e puberdade são apresentadas como conceitos diferentes, provenientes de áreas diferentes do conhecimento. A adolescência é abordada como sintoma da puberdade e enfatiza-se a importante contribuição que a psicanálise traz para a prática dos profissionais da saúde. A adolescência é momento especial de encontro com o real, as respostas sintomáticas são frequentes em um mundo em que as referências simbólicas estão debilitadas. Alerta-se para a importância da inscrição e da não inscrição no campo do Outro.

Sobre a Saúde Mental: que instituição para os adolescentes?

Henri Kaufmanner

Este texto é um extrato da abertura dos trabalhos do NIPS do IPSMMG no ano de 2016. Ocupa-se em pensar algumas particularidades da adolescência a partir de Freud e com a leitura contemporânea de Miller. Focalizando principalmente a invasão do corpo por um gozo que não se acomoda mais às soluções da infância, problematiza os impasses que a vida contemporânea acrescenta ao desligamento do Outro daí decorrente, interrogando como pode nesse contexto, uma instituição que acolhe adolescentes, operar.

“Bons rolês e tudo o que for bom”: a gente não quer só comida

Raquel Guimarães e Virginia Carvalho

O presente artigo descreve uma experiência de conversação realizada com um grupo de jovens que estava em conflito com outra gangue havia três anos. O trabalho foi suscitado pelo encontro fortuito desse grupo com a morte, através do diagnóstico de infecção por HIV em um de seus membros. No momento inicial de cernir a demanda do grupo, os jovens localizam o impasse de não saberem como fazer para se divertirem. Essa demanda vem atravessada pelos acontecimentos do conflito entre os grupos. Um segundo tempo da conversação promove um deslocamento do estatuto da “guerra” para esse grupo. Passam a experimentar um mal-estar por provocarem mortes. O momento de concluir das conversações indica a possibilidade de eles prescindirem desse conflito, através do estreitamento do laço social pela via da diversão.

Histeria: do matema da fantasia ao discurso

Germana Pimenta Bonfioli.

A histeria é um modo particular do sujeito subjetivar a falta imposta pela castração. No presente artigo, destaca-se dois momentos distintos ao longo da obra de Lacan em que ele irá trabalhar a histeria: nos anos 50, quando o matema da fantasia histérica é enunciado e em 1969/1970, no Seminário 17, em que a histeria é tomada como discurso. Tendo como referência o caso Dora, de Freud, busca-se observar, através dos matemas da fantasia e do discurso, as estratégias fundamentais de defesa do sujeito histérico.

O manejo da transferência diante da demanda dos pais

Marina S. Simões

Partindo da leitura de Freud e Lacan e dos impasses na experiência clínica, debatemos as possibilidades de tratamento da criança. Destacando a colocação de Lacan sobre a criança responder ao que há de sintomático no par parental, percebemos a importância de escutar os pais para que a análise da criança seja possível. Apostamos na transferência como possibilidade de construir laços, com a criança e com os pais, para que o tratamento seja possível. Discutimos a possibilidade de interpretar, bem como os tratamentos interrompidos, as dificuldades, a resistência, a posição do analista e a construção de possíveis soluções.

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