Almanaque No 16

[
mar
06

Da solução do sintoma ao sinthoma como solução

Partindo de Freud rumo ao último ensino de Lacan, procuro demonstrar, neste artigo, a trajetória do sintoma como aquilo que inicia o sujeito na análise – com o desejo de livrar-se dele – até o ponto máximo de uma análise em que o sujeito se encontra com o real de seu sinthoma, do qual não é possível se ver livre: pelo contrário, tem que se haver com ele.

[
mar
06

“Dora” e as “maridas”: duas tentativas de abordar o feminino a partir do amor ao pai

Em 1901, Dora, uma histérica, sinalizou para Freud que ela queria saber sobre o seu sexo. Hoje, as ”maridas” formulam a mesma questão – o que é uma mulher? Entre Dora e as ”maridas”, mais de um século se passou. O mundo, nesse espaço de tempo, mudou para a humanidade de forma geral, mas, sobretudo, para as mulheres. Esse trabalho pretende focar a participação do pai na pergunta de Dora sobre o feminino e como a atuação das “maridas” pode estar articulada à queda da figura paterna, em nossos dias.

[
mar
05

A clínica dos adolescentes: entradas e saídas do túnel

Partindo do axioma: “Não há adolescente sem Outro”, a autora demonstra de que forma a posição dos adultos, que virão ou não investir a função do Outro do adolescente, adquirem uma importância fundamental, decisiva, para saída da adolescência. Nesse sentido ela prefere falar de adolescências, no plural. Dado que nessa época da vida, para cada um, se reedita no inconsciente a questão inaugural do sujeito quanto ao desejo do Outro: de que desejo eu nasci? Quanto valho para o Outro? Ele pode perder-me? Tais questões servem de guia para apresentar a direção do tratamento de uma jovem e também para leitura de clássicos da literatura juvenil.

[
mar
05

A adolescência como abertura do possível

O autor acredita que as “lembranças encobridoras“ configura-se como um texto orientador de Freud sobre a adolescência. Elas são constituídas ao mesmo tempo, de um material infantil e de reformulações sucessivas, a fim de responder questões que são colocadas posteriormente: as suas primeiras escolhas à direção a dar à sua existência, seu lugar na sociedade e na orientação de seus sentimentos para novos objetos de amor. O autor se utiliza de revisão da literatura dos pós-freudianos e da produção literária dos séculos XIX e XX, assim como dos ritos de iniciação tribal, traçando um paralelo entre essas produções e nossa época contemporânea, fundamentando sua análise a partir de Lacan.

[
mar
05

O sintoma na encruzilhada dos caminhos: um caso extremo de recusa

O autor toma como referência o ultimíssimo ensino de Lacan e o comentário de “Joyce e o sintoma” publicados por Miller, ressaltando particularmente duas noções inéditas, as de portemanteau e de scabeau. Apresenta o caso de um jovem de quinze anos que é, como Joyce, um sintoma. Ao decidir sustentar uma posição radical de recusa, seu sintoma é ser, do início ao fim, recusa, inclusive de viver: Eu quero morrer, fórmula geral da pulsão de morte.

[
mar
05

Sair da adolescência

A autora aborda o tema da adolescência evocando inicialmente observações antropológicas pioneiras realizadas em sociedades tradicionais. A discussão prossegue com observações da experiência analítica de uma adolescente. Gozo, romance familiar, desejo sexual e arte são abordados pelo prisma da fantasia do sujeito – contemporâneo – do inconsciente.

[
mar
05

Solidão do ser falante

A psicanálise coloca em cena um paradoxo: Não há relação entre os sexos, por um lado; por outro, há uma relação possível ao corpo, ao falo, ao sintoma, ao gozo. Esse designador da existência revela, entretanto, ao mesmo tempo, um impasse lógico, aquele da solidão. É a tese lacaniana congruente com a primeira: a relação ao gozo isola, o gozo que há sublinha a não relação ao parceiro. A solidão está em jogo. Saber como cada um supre essa ausência, com o amor, com a fantasia ou com o sintoma, é o que a autora aborda a partir do caso clínico de uma jovem.

[
mar
05

Almanaque on-line entrevista

No final do ano de 2015, alunos das escolas estaduais de segundo grau do Estado de São Paulo iniciaram um movimento contra a reorganização da rede de ensino estadual. O movimento secundarista apresentou sinais contrários aos da leitura convencional. Os jovens revelam que têm opiniões diferentes, muita vontade de se fazer ouvidos e pretendem fazer valer seus desejos e direitos, entre eles, o de estudar.

[
mar
04

A iniciação na adolescência: entre mito e estrutura

O autor evidencia a importância dos psicanalistas em refletir sobre o estatuto da adolescência e os efeitos da transformação que as mudanças histórico-sociais podem produzir sobre os jovens em nossos dias. Na época do Outro que não existe, como os adolescentes se pautam no encontro do real do sexo, sem poderem considerar a relação estruturante ao Nome-do-Pai e a função de orientação do Ideal do eu e sua ação de regulação humanizante do gozo?

[
mar
04

A adolescência prolongada, ontem, hoje e amanhã

O autor parte do princípio de que, no século XX, nossa percepção da vida e da vida sexual, em particular, mudou muito em relação àquela do século passado. Ela foi modificada em diferentes planos, e, primeiramente, no plano do real. A incidência real da ciência sobre a sexualidade humana trouxe consequências sobre a duração e a repartição das idades da vida. No século XX, Freud pensava que a tarefa a ser cumprida no momento da puberdade seria uma reconstituição diferente da relação com o objeto, um objeto que não seja o edipiano, preparando o sujeito para um encontro com o parceiro sexual. Para Lacan, não é a identificação que permite o acesso ao objeto, mas é muito mais o encontro com o objeto e sua perda que produzem uma identificação. Ao se deparar com a ausência da relação sexual, o amor pode fazer suplência a essa falta. A adolescência é, para Lacan, por excelência, o fato de que o sujeito passa da posição infantil de desejado à posição de desejante.

Almanaque Online © 2006-2018