Almanaque No 17

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O manejo da transferência diante da demanda dos pais

Partindo da leitura de Freud e Lacan e dos impasses na experiência clínica, debatemos as possibilidades de tratamento da criança. Destacando a colocação de Lacan sobre a criança responder ao que há de sintomático no par parental, percebemos a importância de escutar os pais para que a análise da criança seja possível. Apostamos na transferência como possibilidade de construir laços, com a criança e com os pais, para que o tratamento seja possível. Discutimos a possibilidade de interpretar, bem como os tratamentos interrompidos, as dificuldades, a resistência, a posição do analista e a construção de possíveis soluções.

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Histeria: do matema da fantasia ao discurso

A histeria é um modo particular do sujeito subjetivar a falta imposta pela castração. No presente artigo, destaca-se dois momentos distintos ao longo da obra de Lacan em que ele irá trabalhar a histeria: nos anos 50, quando o matema da fantasia histérica é enunciado e em 1969/1970, no Seminário 17, em que a histeria é tomada como discurso. Tendo como referência o caso Dora, de Freud, busca-se observar, através dos matemas da fantasia e do discurso, as estratégias fundamentais de defesa do sujeito histérico.

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“Bons rolês e tudo o que for bom”: a gente não quer só comida

O presente artigo descreve uma experiência de conversação realizada com um grupo de jovens que estava em conflito com outra gangue havia três anos. O trabalho foi suscitado pelo encontro fortuito desse grupo com a morte, através do diagnóstico de infecção por HIV em um de seus membros. No momento inicial de cernir a demanda do grupo, os jovens localizam o impasse de não saberem como fazer para se divertirem. Essa demanda vem atravessada pelos acontecimentos do conflito entre os grupos. Um segundo tempo da conversação promove um deslocamento do estatuto da “guerra” para esse grupo. Passam a experimentar um mal-estar por provocarem mortes. O momento de concluir das conversações indica a possibilidade de eles prescindirem desse conflito, através do estreitamento do laço social pela via da diversão.

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Sobre a Saúde Mental: que instituição para os adolescentes?

Este texto é um extrato da abertura dos trabalhos do NIPS do IPSMMG no ano de 2016. Ocupa-se em pensar algumas particularidades da adolescência a partir de Freud e com a leitura contemporânea de Miller. Focalizando principalmente a invasão do corpo por um gozo que não se acomoda mais às soluções da infância, problematiza os impasses que a vida contemporânea acrescenta ao desligamento do Outro daí decorrente, interrogando como pode nesse contexto, uma instituição que acolhe adolescentes, operar.

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Adolescência, o que é?

Resumo: O texto é a transcrição do seminário de abertura do Núcleo de Investigação em Psicanálise e Medicina, no 1º semestre de 2016. Adolescência e puberdade são apresentadas como conceitos diferentes, provenientes de áreas diferentes do conhecimento. A adolescência é abordada como sintoma da puberdade e enfatiza-se a importante contribuição que a psicanálise traz para a prática dos profissionais da saúde. A adolescência é momento especial de encontro com o real, as respostas sintomáticas são frequentes em um mundo em que as referências simbólicas estão debilitadas. Alerta-se para a importância da inscrição e da não inscrição no campo do Outro.

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O real da puberdade e a saída da infância

O real da puberdade testemunha a irrupção de um gozo diante do qual as palavras falham. O encontro com esse real pode produzir consequências perturbadoras para a relação do sujeito com seu corpo, com a imagem e com a língua, que, até então, lhe serviam de sustentação. Essa passagem da infância à adolescência desaloja o sujeito de sua língua e de seu corpo infantil conduzindo-o tanto ao despertar quanto ao exílio. Será necessário, então, que ele encontre novos arranjos pulsionais e novos modos de inscrição no mundo e no Outro.

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Filiação: demissão da autoridade, desamparo do adolescente

Resumo: No presente artigo, buscamos tratar as consequências subjetivas da retirada jurídica da função parental. As ressonâncias da demissão da autoridade paterna para o filho, principalmente quando este vive a adolescência, podem fazer surgir, diante do real, a condição de desamparo e o pior como solução.
Palavras-chave: ADOLESCÊNCIA, PATERNIDADE, DIREITO, PSICANÁLISE, DESAMPARO.

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A química da libido

O texto freudiano relativo às “transformações da puberdade” é trazido partindo da “química especial”, inerente à função sexual, até chegarmos à substância gozante, em Lacan. Nessa trajetória, um paralelo é feito entre as transformações da puberdade nos séculos XX e XXI, respectivamente abordando a era do Édipo (simbólico) e do mais-além do Édipo (real) para investigar os efeitos da libido no adolescente freudiano e lacaniano. Interroga-se, enfim, o estatuto da causalidade psíquica nos tempos atuais, relativos à queda do Pai. Ou seja, trata-se dos efeitos da libido numa época em que a ascensão do gozo permite propor não somente novos modelos de identificação, como também trazer uma hipótese específica quanto à causalidade que não se assenta mais sobre um traço, mas sobre a sua pluralização.

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Comentário

O relato de Sérgio de Mattos nos instiga a percorrer suas referências. Com Viveiros de Castro, aprendemos a perspectiva ameríndia de construção do corpo, no processo de reclusão, exibição e metamorfose. Na cultura yawalapíti, o social constitui o corpo, não

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O que fazer com seu corpo?

O corpo não esta pronto para o ser falante. Ele precisa ser fabricado e apropriado para ser corpo próprio. Este texto investiga essas construções ao longo da história, em sociedades tradicionais ameríndias, construção por particularização através de uma materialidade que se encarna, pedaços de outros animais, alimentos, pinturas, hábitos. No oriente pelo Zen budismo onde um corpo se faz em referencia a um vazio e sensualidades. Na atualidade tomando como exemplo os Body Moods, quando se verifica um corpo feito por pedaços sem um Outro que lhe dê um modelo estável. E na psicanalise, onde o corpo que se goza a si mesmo seria feito de acontecimentos de corpo, verificáveis nos procedimentos de passe.

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