Almanaque No 11

Editorial

Márcia Mezêncio

Já está em circulação a edição número 11 do Almanaque on-line, conectada com os projetos da Diretoria de Ensino e da Seção Clínica do Instituto e atenta aos movimentos do Campo Freudiano, seus encontros e propostas de intervenção política na

As normas e os corpos: quando isso não funciona

Elisa Alvarenga

Tomando a orientação dos temas do ENAPOL VI, “Falar com o corpo – a crise das normas e a agitação do real”, e das Jornadas da Seção Minas da EBP – “Psicanálise e Ciência – o real em jogo”, a autora introduz o assunto, interrogando, primeiramente, as normas, em seguida, os corpos para a ciência e, para terminar, propõe-se a pensar o que pode a psicanálise diante da crise das normas.

O erro comum e a paixão transexual

Yolanda Vilela

Este artigo trata da questão do transexualismo a partir da contribuição do último ensino de Lacan, que situa o sujeito chamado transexual no campo das psicoses. O texto convoca igualmente as contribuições de Freud sobre as diferenças sexuais e aborda a perspectiva stolleriana mencionada por Lacan.

O que é que tem um corpo e não existe? Resposta: O grande Outro

Sandra Espinha

O presente texto parte de uma pergunta feita por Lacan, no Seminário, livro 17: o avesso da psicanálise, quando ele define o “campo lacaniano” como o campo do gozo estruturado pelos discursos como laços sociais: “O que é que tem um corpo e não existe? Resposta — O grande outro”. Servindo- se dessa pergunta como título para o seu texto, a autora parte desse momento do ensino de Lacan, em que a estruturação dos quatro discursos constitui uma nova edição lacaniana do Outro “como estrutura no real”, que apresenta a sua inexistência não como antinômica do real, mas correlativa deste, para abordar as distintas declinações da concepção do corpo, feitas por Lacan, no percurso de seu ensino, até aquela em que o corpo assume o lugar do Outro. O texto mostra como o último Lacan, ao partir da evidência de que “há o gozo”, como propriedade de um corpo vivo e que fala, correspondente à inexistência do Outro, faz aparecer o Outro sob a forma do Um do corpo, que existe.

Almanaque on-line entrevista

Patrício Alvarez

“A insensatez do sintoma: os corpos e as normas” será o tema de trabalho da Seção Clínica do Instituto, neste semestre. Sua escolha se articula à preparação para o VI ENAPOL e toma como orientação o argumento de Éric Laurent

Entrevista com Fabián Naparstek

Didier Velásquez

Entrevista com o professor Fabián Naparstek, que é, atualmente, um dos coordenadores da Rede TyA e um dos trabalhadores mais decididos em todos esses anos de existência da Rede. Ele é autor de inúmeros artigos e publicações em relação a essa problemática. O propósito é indagar sobre alguns problemas específicos que estão presentes no trabalho de TyA, particularmente em suas elaborações.

Entrevista com Luis Darío Salamone

Didier Velásquez Vargas

Entrevista com Luis Darío Salamone, um dos coordenadores da Rede internacional do TyA em Buenos Aires. O propósito do autor é que ela contribua para o trabalho sobre o tema na cidade de Medellín.

As saídas do tratamento nos CAPS ad

Maria Wilma S. de Faria e Ana Regina Machado

A partir de considerações em torno das lógicas presentes na política de saúde mental do Brasil, no que tange à atenção a usuários de drogas (clínica, atenção psicossocial e redução de danos), as autoras problematizam as entradas e as saídas no tratamento ofertado nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS.

Fracasso e Transferência: entre a cura e o tratamento

Gustavo Rodrigues Borges de Araújo

Partindo-se das diversas alusões ao fracasso observadas cotidianamente, pode-se dizer que esse termo serve para substantivar todo um conjunto de falhas (seja escolar ou de qualquer outro tipo), que passa a representar o sujeito. Propõe-se que, de certa forma, o fracasso seja um importante correlato do tratamento psicanalítico, uma vez que é condição para a transferência. Esta representaria o próprio fracasso dos amores incestuosos e a possibilidade de reeditar, na figura do analista, os objetos perdidos em virtude da intervenção do Outro da lei. Entretanto, os amores continuam a existir no inconsciente, que emerge na condição de ser escutado. Este, por conseguinte, constitui o campo da singularidade de cada sujeito, que é refratário à igualdade pretendida pelos imperativos curar, educar e governar. A partir dessa singularidade, portanto, e de seu sofrimento, a relação analítica lança-se em potência. O psicanalista poderá ser introduzido na condição de que, supostamente, saiba como curar o sujeito do sofrimento causado por sua singularidade. Acredita-se, nesse sentido, que, pelo viés da transferência — a reedição desses objetos de amor — seja possível apostar em um tratamento. Contudo, o psicanalista não poderia prestar-se a curá-la, senão tratá-la, pois, no campo da psicanálise, procura-se fazer prevalecer essa singularidade com o intuito de produzir um saber sobre o sofrimento associado ao inconsciente. Nessa perspectiva, o tratamento psicanalítico não tem a finalidade de curar o sujeito de seu fracasso, mas tê-lo como referência para o desenvolvimento do tratamento.

Almanaque Online © 2006-2018