Almanaque No 12

Editorial

Márcia Mezêncio

Em texto publicado na rubrica Trilhamento desta edição do Almanaque on-line, Hebe Tizio problematiza a articulação entre autoridade e limite, lembrando-nos de que se deve “saber que tanto o autoritarismo, como o ‘deixar fazer sem limite’ são as duas faces

A educação e os corpos de hoje

Hebe Tizio

O presente trabalho toma como ponto de partida a desregulação dos corpos na escola e em outros espaços educativos como decorrência da mudança das coordenadas que organizavam esse espaço e a consequente perda da função educativa. Nesse sentido, tomam-se esses problemas como sintomas sociais na medida em que assinalam uma disfunção no mencionado aparato educativo, diferenciando-os dos sintomas subjetivos e apontando uma série de propostas.

O corpo da criança e os discursos

Andrea Eulálio de Paula Ferreira, Margaret Pires do Couto e Tereza Cristina Côrtes Facury

O presente artigo visa a investigar como, na atualidade, o discurso da ciência, segundo a lógica do discurso universitário e do discurso do capitalista, busca regular as relações dos sujeitos crianças e seus corpos. Já a psicanálise demonstra que o discurso analítico é o que possibilitará que esses sujeitos produzam um saber sobre o real do seu corpo.

A exceção que depõe a regra

Bernardo Micherif Carneiro

Partindo da crescente prática dos analistas na condução de instituições públicas, este artigo privilegia o pensamento de Giorgio Agamben para colocar em discussão noções fundamentais que esclareçam a lógica de funcionamento do campo político em que os analistas se colocam. O artigo apresenta o conceito de estado de exceção como o elemento que se constitui na interseção entre política, direito e vida na sociedade atual. Agamben retoma o conceito de biopolítica em Foucault como o modo privilegiado atualmente para articular essas três instâncias. Ao final, o artigo propõe uma nova perspectiva de ação política, segundo Agamben.

Almanaque on-line entrevista

Sérgio Laia - Diretor executivo do VI Enapol pela EBP

1) O corpo está em discussão. O IPSM-MG tem-se ocupado da exploração do tema do VI ENAPOL e propõe, para esta entrevista, a articulação “o corpo sob transferência”, o corpo tomado pela incidência do discurso analítico no século XXI. O

Apresentação de pacientes: dispositivo e discursos

Cristiana Miranda Ramos Ferreira

O texto apresenta as principais conclusões desenvolvidas na tese sobre a questão das apresentações de pacientes, indicando os efeitos que cada um dos discursos produz sobre esse dispositivo.

O objeto autístico e sua função no tratamento psicanalítico do autismo

Paula Ramos Pimenta

A autora apresenta sua tese de doutorado, na qual buscou elucidar o tratamento psicanalítico do autista pelo uso dos objetos autísticos, considerados essenciais para seu tratamento, orientada pela concepção de objeto proposta pela psicanálise lacaniana.

Elaborações psicanalíticas sobre a melancolia e a mania

Adauto Clemente

Apresentam-se, neste artigo, algumas elaborações teóricas sobre a melancolia e a mania, desde os primórdios da psicanálise. Enfatizam-se as teorias tópica e estrutural de Freud e elaborações de seus sucessores que reforçam a concepção da melancolia como “perda do objeto”. Examinam-se também algumas concepções lacanianas que lançaram novas compreensões sobre os mecanismos constitutivos da melancolia, como a foraclusão e a ideia inovadora a respeito da “falta do objeto”. Tais elaborações ajudam a compreender vários fenômenos observados na melancolia, inclusive seus sintomas aparentemente antitéticos presentes nos estados maníacos.

Que lugar para o analista na experiência com a psicose?

Fernando Ferreira Linhares

O artigo propõe interrogar a posição do analista na experiência com a psicose e investigar as possibilidades de seu manejo sob a égide da teoria psicanalítica. Para tal, uma breve síntese da evolução dessa teoria nos ensinos de Freud e Lacan é traçada, identificando a origem de alguns conceitos essenciais, assim como seus desdobramentos. A partir dessa síntese, relacionam-se pontos- chave da teoria da psicose às formulações sobre a posição do analista deles decorrentes, referenciado- as ao momento histórico adequado, assim como à fase pertinente das elaborações sobre a psicose. O objetivo final é oferecer algumas orientações clínicas sobre a posição do analista perante um paciente psicótico acompanhadas de seu embasamento teórico.

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