Gambiarras

Almanaque No 21

Editorial

Ludmilla Féres Faria
Gambiarras

Cao Guimaraes

Chegamos à 21ª edição do Almanaque. Neste número damos continuidade ao trabalho de pesquisa sobre o tema do XXII Encontro Brasileiro de Psicanálise, “A queda do falocentrismo: consequências para a psicanálise”, que acontecerá em novembro próximo, na cidade do Rio de Janeiro.

O leitor poderá acompanhar, na rubrica Trilhamentos, as valiosas contribuições de Victoria Horne Reinoso e Dominique Laurent sobre os desdobramentos da queda do falocentrismo na prática analítica. Victoria parte de duas proposições emblemáticas do ensino de Lacan – “todas as mulheres são loucas” e “todo mundo é louco” – para esclarecer a diferença entre a loucura no sentido psicótico ou paroxístico e a loucura inerente ao parlêtre na nossa civilização. Dominique Laurent, por sua vez, avança nesse debate a partir do sintagma da “foraclusão generalizada” e o sinthome como a melhor maneira de lidar com a singularidade do gozo. Ou seja, as autoras esclarecem, cada uma a seu modo, a forma como os modos tradicionais de manter o enodamento dos parlêtre dá lugar a soluções não padronizadas, a invenções sob medidas, a gambiarras.

 

O tema das invenções nos levou até a obra de Cao Guimarães. O artista plástico, em seu ensaio fotográfico “Gambiarras”, desvela de forma surpreendente o que, da necessidade, se faz invenção. Não deixem de ler, na rubrica Entrevista, o que o próprio Cao nos conta sobre seu encontro com esses achados. Todas as fotos usadas neste número são de sua autoria. Agradecemos-lhe imensamente pela cessão das imagens e pela disponibilidade em responder a nossas questões. Delicie-se com a forma e as cores dessas “gambiarras”.

 

Na rubrica Incursões apresentamos os desdobramentos do que foi trabalhado nos núcleos de pesquisa do Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerias durante primeiro semestre de 2018. Compõem essa rubrica os textos de Simone Souto; Margaret P. Couto; Ana Maria C. Lopes e Andréa Eulálio; Gabriel S. Medeiros e Jeannine Narciso; Cláudia Generoso; e Helenice de Castro. Em cada um deles, encontramos contribuições que vão delineando o debate em torno de nosso tema central.

 

Em Encontros, Laura Rubião e Samyra Assad nos brindam com uma leitura fina sobre o amor em Freud e Lacan. O que pode o amor de transferência neste tempo do “um sozinho”? Como incluir, no laço amoroso, a solução sintomática de cada um? São essas, entre outras, as questões abordadas pelas autoras. Confiram!

Que os textos aqui expostos, escolhidos cuidadosamente pela nova equipe de publicação, despertem o desejo de um ótimo Encontro, em novembro, no Rio de Janeiro. Agradecemos aos autores e, especialmente, a Cao Guimarães, que, com seu maravilhoso trabalho, deixou nosso Almanaque ainda mais rico. Aproveitamos para dar boas vindas e também agradecer a nova equipe de publicação do IPSM-MG: Alessandra Rocha, Ana Helena Souza, Kellen dos Santos, Marcela Brandão de Almeida, Letícia Soares, Maria das Graças Sena, Maria de Fátima Ferreira, Michelle Sena, Renata Mendonça e Thaís Meneses.

Desejamos a vocês uma boa leitura.

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