Almanaque No 11

Editorial

Márcia Mezêncio

Já está em circulação a edição número 11 do Almanaque on-line, conectada com os projetos da Diretoria de Ensino e da Seção Clínica do Instituto e atenta aos movimentos do Campo Freudiano, seus encontros e propostas de intervenção política na cidade.

Na rubrica Entrevista, conversamos com Patrício Alvarez, Diretor do VI ENAPOL. Ele nos fala sobre os projetos de investigação rumo a esse Encontro e comenta a conexão com o tema de trabalho da Seção Clínica para este semestre, “A insensatez do sintoma: os corpos e as normas”, apresentado e mapeado por Elisa Alvarenga, no artigo “As normas e os corpos: quando isso não funciona”, que abre este número, na rubrica Trilhamento.

Almanaque on-line publica ainda duas outras entrevistas, realizadas por Didier Velásquez, por ocasião do VIII Congresso da AMP e do Primeiro Colóquio do TyA, em abril de 2012, em Buenos Aires. Didier, nosso colega de Medellín que, na ocasião, pesquisava o tema para seu mestrado, na Universidade local, conversou com Fabián Naparstek e Luis Salamone sobre o trabalho com a toxicomania e o alcoolismo, desenvolvido em Buenos Aires e coordenado pelos dois colegas argentinos. Agradecemos a Didier pela sua generosa e gentil disponibilidade em ceder suas entrevistas para publicação no Almanaque on-line, em que, depois de servir aos colegas de Medellín como reflexão, em um Cartel ampliado de “Movimento hacia el TyA”, certamente nos ajudará a impulsionar o trabalho da Rede TyA, no Brasil, em uma boa direção. Direção já sinalizada no trabalho de Maria Wilma S. de Faria e Ana Regina Machado, que compõe, ao lado das duas entrevistas, a rubrica Encontros. As autoras apresentam sua experiência de intervenção, a partir do discurso da psicanálise, em um CAPS-ad, problematizando as lógicas presentes nos equipamentos da saúde mental para o tratamento dos usuários de drogas.

Retomando o tema de trabalho da Seção Clínica, na rubrica Incursões, publicamos dois trabalhos produzidos em seus núcleos de pesquisa. Em “O erro comum e a paixão transexual”, apresentado por Yolanda Vilela, no Núcleo de Pesquisa em Psicose, aborda-se a questão do transexualismo a partir da contribuição do último ensino de Lacan, que situa o sujeito chamado transexual no campo das psicoses. Sandra Espinha, em elaboração proposta ao Núcleo de Psicanálise com Crianças, “O que é que tem um corpo e não existe”, parte do momento do ensino de Lacan em que a estruturação dos quatro discursos constitui uma nova edição lacaniana do Outro “como estrutura no real”, para abordar as distintas declinações da concepção do corpo, feitas por Lacan no percurso de seu ensino, até aquela em que o corpo assume o lugar do Outro.

Em De uma nova geração, vocês encontrarão uma articulação com o nosso tema de trabalho do ano anterior, no artigo “Fracasso e transferência: entre a cura e o tratamento”, de Gustavo Rodrigues Borges de Araújo, apresentado na Jornada de Trabalhos do Curso de Psicanálise. O argumento que o autor desenvolve é que, de certa forma, o fracasso seja um importante correlato do tratamento psicanalítico, uma vez que é condição para a transferência.

Esperamos que os leitores encontrem, nesta edição, referências que os convidem a participar de nossos espaços de investigação e a nos remeterem também suas produções e contribuições para nossas próximas publicações.

Desejamos-lhes uma ótima leitura!

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