Psicanálise

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Fracasso e Transferência: entre a cura e o tratamento

Partindo-se das diversas alusões ao fracasso observadas cotidianamente, pode-se dizer que esse termo serve para substantivar todo um conjunto de falhas (seja escolar ou de qualquer outro tipo), que passa a representar o sujeito. Propõe-se que, de certa forma, o fracasso seja um importante correlato do tratamento psicanalítico, uma vez que é condição para a transferência. Esta representaria o próprio fracasso dos amores incestuosos e a possibilidade de reeditar, na figura do analista, os objetos perdidos em virtude da intervenção do Outro da lei. Entretanto, os amores continuam a existir no inconsciente, que emerge na condição de ser escutado. Este, por conseguinte, constitui o campo da singularidade de cada sujeito, que é refratário à igualdade pretendida pelos imperativos curar, educar e governar. A partir dessa singularidade, portanto, e de seu sofrimento, a relação analítica lança-se em potência. O psicanalista poderá ser introduzido na condição de que, supostamente, saiba como curar o sujeito do sofrimento causado por sua singularidade. Acredita-se, nesse sentido, que, pelo viés da transferência — a reedição desses objetos de amor — seja possível apostar em um tratamento. Contudo, o psicanalista não poderia prestar-se a curá-la, senão tratá-la, pois, no campo da psicanálise, procura-se fazer prevalecer essa singularidade com o intuito de produzir um saber sobre o sofrimento associado ao inconsciente. Nessa perspectiva, o tratamento psicanalítico não tem a finalidade de curar o sujeito de seu fracasso, mas tê-lo como referência para o desenvolvimento do tratamento.

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As normas e os corpos: quando isso não funciona

Tomando a orientação dos temas do ENAPOL VI, “Falar com o corpo – a crise das normas e a agitação do real”, e das Jornadas da Seção Minas da EBP – “Psicanálise e Ciência – o real em jogo”, a autora introduz o assunto, interrogando, primeiramente, as normas, em seguida, os corpos para a ciência e, para terminar, propõe-se a pensar o que pode a psicanálise diante da crise das normas.

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Elaborações psicanalíticas sobre a melancolia e a mania

Apresentam-se, neste artigo, algumas elaborações teóricas sobre a melancolia e a mania, desde os primórdios da psicanálise. Enfatizam-se as teorias tópica e estrutural de Freud e elaborações de seus sucessores que reforçam a concepção da melancolia como “perda do objeto”. Examinam-se também algumas concepções lacanianas que lançaram novas compreensões sobre os mecanismos constitutivos da melancolia, como a foraclusão e a ideia inovadora a respeito da “falta do objeto”. Tais elaborações ajudam a compreender vários fenômenos observados na melancolia, inclusive seus sintomas aparentemente antitéticos presentes nos estados maníacos.

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O corpo da criança e os discursos

O presente artigo visa a investigar como, na atualidade, o discurso da ciência, segundo a lógica do discurso universitário e do discurso do capitalista, busca regular as relações dos sujeitos crianças e seus corpos. Já a psicanálise demonstra que o discurso analítico é o que possibilitará que esses sujeitos produzam um saber sobre o real do seu corpo.

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A educação e os corpos de hoje

O presente trabalho toma como ponto de partida a desregulação dos corpos na escola e em outros espaços educativos como decorrência da mudança das coordenadas que organizavam esse espaço e a consequente perda da função educativa. Nesse sentido, tomam-se esses problemas como sintomas sociais na medida em que assinalam uma disfunção no mencionado aparato educativo, diferenciando-os dos sintomas subjetivos e apontando uma série de propostas.

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Insensatez do corpo e retalhos na carne

O texto visa a discutir alguns aspectos do tema da toxicomania, principalmente a respeito do lugar ocupado pelo corpo nessa clínica. Sem chegar a propor uma tipologia clínica, levanta a hipótese de que o uso do corpo tal como é feito na psicose pode ajudar a pensar a atualidade das duas faces da fórmula freudiana a respeito da toxicomania: a intoxicação do corpo pela química da droga. Essa atualidade viria, principalmente, orientada pela composição lacaniana do paradigma joyciano para a psicose e para a segunda clínica.

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Crianças à deriva: reflexões sobre a construção, o comentário de casos e a transmissão da psicanálise

O texto tece considerações em torno do que constitui o comentário e a construção dos casos nos quais o sintoma social da época, a violência, marca a vida de crianças e observa, no âmbito da psicanálise de orientação lacaniana, as particularidades trazidas por elas. Ainda apresenta a aposta em um tratamento conduzido pela via da transferência e do saber-fazer do analista com o sintoma de cada sujeito. O trabalho foi produzido com base nos casos apresentados no Núcleo de Psicanálise e Saúde Mental de Montes Claros e Ipatinga e usou como referência o ensino de Lacan e de escritos de analistas lacanianos.

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Reflexões sobre a psicose ordinária

Neste artigo, constroem-se algumas reflexões sobre o texto de Jacques- Alain Miller, “Efeito de retorno à psicose ordinária”, discutindo-se a questão do diagnóstico das psicoses na comparação com a estrutura neurótica. Ao final, a partir da discussão anterior, apresentam-se algumas questões sobre as relações possíveis entre psicanálise e sociedade, levando em consideração a questão da falta e as diferenças entre psicose e neurose.

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Medicina e Psicanálise: uma parceria

Este artigo objetiva avaliar a prática da medicina contemporânea diante das transformações ocorridas na clínica a partir da introdução da Medicina baseada em evidências (MBE) e da clínica psiquiátrica do Manual de diagnóstico e tratamento (DSM). Busca-se encontrar as opções epistêmicas para sustentar o trabalho do médico que não a clínica da avaliação e do protocolo. Para tanto propõe-se que a parceria entre medicina e psicanálise seja um campo fértil para fornecer instrumentos clínicos diante das demandas contemporâneas no campo da saúde.

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