Almanaque No 06

Editorial

Paula Pimenta

Vem a lume Almanaque On-line, Ano 4 – nº 6, a revista eletrônica do Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais (IPSM-MG). Este é o primeiro número lançado sob a responsabilidade da nova Diretoria do IPSM-MG, empossada para o biênio 2010-2012.

Almanaque On-line tem a proposta de publicar os textos orientadores para as atividades do IPSM-MG, bem como as produções dos colegas advindas dali. No 1º semestre de 2010, as Lições Introdutórias, pertencentes à Seção de Ensino do IPSM-MG, elegeram como eixo de trabalho a clínica freudiana das manifestações do inconsciente. A Seção Clínica e seus Núcleos de investigação tomaram como guia para seus trabalhos A prática da psicanálise: entre o delírio generalizado e a debilidade. Essa proposta promove uma interlocução tanto com o tema do XVIII Encontro Brasileiro do Campo freudiano, O sintoma na clínica do delírio generalizado, a acontecer em São Paulo, no 2º semestre de 2010, quanto com a temática do V ENAPOL, A saúde para todos, não sem a loucura de cada um, que terá lugar na cidade do Rio de Janeiro, no 1º semestre de 2011.

Desse modo, em Trilhamento e na via temática do delírio generalizado, Almanaque On-line nº 6 traz o texto de Hebe Tizioque elucida sobre a desinserção da linguagem promovida pelo delírio psicótico, pela ausência de um movimento em direção ao Outro, algo diferenciado do delírio generalizado de que padecem os “falasseres”. Em uma aproximação a esse tema, Lilany Pacheco interroga a relação existente entre delírio de normalidade e intoxicação generalizada, concebendo que os sujeitos que se submetem ao delírio de normalidade, ao desejo de se fazerem iguais sob a norma do “para todos”, acedem, também, à intoxicação generalizada, em obediência aos ideais contemporâneos do tratamento medicamentoso do corpo.

Em Incursão, Antônio Teixeira traz a concepção original de Freud sobre o sexual, relacionando-o à impossibilidade da produção de sentido, o que o levou a um progressivo rompimento com Fliess, como atesta sua condução do caso de Irma-Emma. Por sua vez, o texto de Samyra Assad parte da pergunta sobre como tratar o incurável na psicanálise com crianças, uma vez que não há, ali, em razão do tempo progressivo, restos sintomáticos. Para tanto, lança a proposta do tempo contingente, através do qual a criança recolheria as formas contingentes da ausência da relação sexual, na família e no casal parental.

Em Entrevista, realizada com Francisco Paes Barreto,Almanaque On-line nº 6 privilegia o tema “Psicanálise e Saúde Mental” e indaga as opiniões desse interessado pelo assunto, decorrentes de sua longa experiência nesses dois campos disjuntos, porém parceiros.

Encontros segue com o mesmo tema, orientador da 2ª Conversação da Seção Clínica do IPSM-MG, com o testemunho vivo oferecido por Cristiane Barreto sobre a relação entre a psicanálise e a prática da Saúde Mental, ressalvando a conveniência de uma “pequena inflexão” por parte do psicanalista que atua nesse campo. Helenice de Castro também traz sua contribuição a essa questão, servindo-se do cotejamento de dois importantes textos de Miller. Propõe que o excesso de gozo com o qual o sujeito deve se haver adverte o analista de sua posição antagônica àquela assumida pela Saúde Mental, partidária de uma ordem social organizada sob a tutela do bem comum.

De uma nova geração retoma o assunto da temporalidade, por meio de uma pergunta sobre a temporalidade do inconsciente.Loren Alyne Costa discorre sobre a função do psicanalista, que intervém entre o tempo cronológico que passa e o tempo inconsciente que permanece, pela via da repetição na análise.

Uma boa leitura a todos!

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